Documentário – definições – Fernão Ramos

A definição do que seja documentário é uma das mais controversas dos Estudos de Cinema. Antes de mais nada, é preciso abandonar as falsas concepções de “compromisso com a verdade”, “realidade” e “objetividade”. Essas teses caem por terra ao conceber que o documentário trabalha com módulos de encenação.

Documentário é uma narrativa com imagens-câmera que estabelece asserções sobre o mundo, na medida em que haja um espectador que receba essas asserções. A natureza destas imagens, principalmente na dimensão de tomada através da qual as imagens são constituídas determinam a singularidade da narrativa documentária.

Diferença da ficção -  O documentário estabelece asserções ou afirmações sobre o mundo histórico.

Há sempre uma voz que enuncia no documentário, em diversos estilos. No documentário clássico, predomina a voz off, com narração fora de campo.  A partir dos anos 60, com o aparecimento do cinema direto/verdade, o documentário mais autoral passa a enunciar por asserções dialógicas, assemelhando-se ao modo dramático com argumentos sendo expostos na forma de diálogo (inserção da entrevista e do depoimento).

No documentário contemporâneo clássico (documentário cabo), as vozes são diversas.

As asserções da narrativa ficcional e documental são diversas, uma vez que o cinema de ficção tem por base o entretenimento (exigindo baixo investimento afetivo do espectador). Entretenimento, nesse caso, é uma concepção mais ampla, uma vez que estabelecemos hipóteses, relações, previsões, expectativas de verossimilhança e empatia emotiva.

Na maioria das vezes, o espectador sabe que está assistindo à um filme de realidade ou de ficção. Porém, essa barreira pode ser quebrada, quando “falsos documentaristas” induzem o espectador a acreditar que estão diante de um documentário, quando temos uma narrativa ficcional – mockumentary – (casos de filmes como “Zelig”, “A Bruxa de Blair”, “Borat”, “Atividade Paranormal”, entre outros), que será o assunto do próximo post.

Um interessante exemplo que mostra os limites entre ficção e não ficção é o curta de Jorge Furtado “O sanduíche” (2006), uma narrativa em cascata que discute a percepção da narrativa que estamos assistindo:

Bibliografia: Livro do pesquisador Fernão Ramos, professor da Unicamp e do Curso de Especialização em Cinema da Unisinos – Mas afinal, o que é o documentário? SP, Editora Senac, 2008.

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