Amor sem escalas

Amor sem escalas foi a surpresa deste ano na indicação ao Oscar, concorrendo a nove delas. Hollywood tem a estranha mania de fazer isso: pegar filmes pseudocults ou de diretores mais pedantes ainda e eleger como a “zebrinha querida” do ano.  Jason Reitmann, também diretor de Juno (um bom filme, mas que deixa aquela sensação de que algo está faltando, sabe?) nos conta a história de um alto executivo que é pago para viajar o país demitindo pessoas. Em sua história, encontros, desencontros e muitas reflexões (algumas até batidas) da vida pós-moderna.

Confesso que assisti ao filme sem maiores pretensões. O resultado: olhos vidrados na tela. Amor sem Escalas pode ser acusado de clichê, mas jamais de entediante. A forma como a história é conduzida é muito boa. Mas o grande trunfo são os personagens: verossímeis e verdadeiros. Você pode estar se perguntando o que um “demissor” tem de verossímil no mundo de hoje. Olha, eu não faço a menor ideia. Mas em um mundo de recente crise mundial capitaneada pelo gigante EUA, o filme procede: a angústia classe média de perder o seu emprego, e a angústia do personagem que faz de muitas perdas o seu modo de ganhar a vida. O personagem de Cloney, Ryan, é um cínico.  Ele sabe que não existe muito o que fazer em um momento como esse de demissão  (onde ele demite funcionários com mais de uma década de empresa). Em seu argumento cínico, ele diz que faz isso com dignidade, tentando mostrar a perspectiva de futuro que um golpe deste tipo pode causar. Até que é recrutado a treinar uma assistente, que questiona muitas de suas certezas.

A personagem da assistente, Natalie (Ana Kendrick) é a mais bem construída no filme. Começa completamente estereotipada e vai crescendo na trama, questionando desde as técnicas de trabalho de Ryan até o seu romance com uma executiva viajante. O filme não é a desconstrução de Ryan: é a derrocada do sonho da imatura assistente. Cloney, com seu charme onde um olhar vale por mil palavras, vai passando por várias situações onde a maior mensagem talvez seja essa: o mundo é cínico. E assim como ele, os sonhos de paixão e os idealismos profissionais. Mas, mesmo assim, continuamos sempre a pegar o próximo avião.

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