Mockumentary, o falso documentário

O ano era 1938, e a população norte-americana utilizava-se muito da estação de rádio Columbia Broadscasting System como fonte de informação. Eram 20h30 do dia 30 de outubro, e a tradicional seleção musical estava rodando, quando o locutor interrompeu com a “notícia” de que um meteoro havia caído em Nova Jersey… até que o repórter enviado especial começou a descrever o meteoro, que se abriu e de onde saíram seres com tentáculos!! Seria uma invasão alienígena?


O responsável pela brincadeira era nada mais nada menos que o futuro diretor de cinema Orson Welles (Citzen Kane). A transmissão, que gerou pânico na população, utilizou-se de um instrumento de legitimação de informação, o rádio, para aplicar a primeira “pegadinha” que se tem notícia em grande mídia.

Welles gostou tanto do resultado que mais tarde filmou “F for fake”, brincando com a capacidade do cinema em promover “ilusões através da imagem”. O ano era 1974. Parte 1 disponível aqui:

É nessa linha que surge o “mockumentary”, o falso documentário (do inglês mock, falso, e documentary), que são filmes que se utilizam de recursos da narrativa documental para “confundir” o espectador.  Nesta linha seguem filmes como Canibal Holocausto (1979), Zelig (1983), Borat (2006), Bruxa de Blair (1999) e Atividade Paranormal (2007).

O diário de David Holzmann (1967, Jim McBride)

Influenciado pelo “cinema verdade”, faz a paródia contanto a vida de um desempregado.  É considerado o primeiro “mockumentary” de que se tem registro. Filme inteiro no youtube, parte 1 aqui:

Canibbal Holocausto (1980, Roger Deodato – argentina)

Segue o trailer “nojinho” do filme que “conta” a saga de quatro documentaristas que tentaram filmar indígenas. O filme foi proibido em diversos países por conter cenas de violência sexual e morte real de animais. É considerado por alguns adoradores do gênero horror como “cult movie”.

Zelig (Woddy Allen, 1983)

Um dos mais geniais filmes de Woddy Allen, Zelig é um mockumentary que “conta” a divertida história de um personagem que é um camaleão, ou seja, adquire as características físicas das pessoas de quem se aproxima. Da-lhe croma key!

This is Spinal Tap (1984, Rob Reiner)

Esse parece ser divertidíssimo: um documentário sobre uma banda de rock de muito sucesso, mas fake! A satirização é escrachada. Dá uma olhada na recepção de alguns astros do rock, segundo as lendas (wiki).

A morte de George W. Bush (2006, Gabriel Range)

“Hoje eu acordei para sorrir mostrar os dentes,
hoje eu acordei para matar o presidente….”
(Charlie Brown Jr, “Hoje eu acordei feliz”)

E o diretor inglês Gabriel Range resolveu contar a história hipotética da morte do presidente, em 2006. Acusado por muitos de incentivar o terrorismo, Range nos mostra a capacidade do cinema em lidar com o imaginário do espectador.

Borat (2007, Lary Charles)

Em uma das melhores sátiras à cultura norte-americana de todos os tempos, o “segundo melhor jornalista do Cazaquistão” viaja para a América para fazer um documentário.

Tá dando onda (2007, Ash Brannon e Chris Buck)

E, como bem lembra , o blog Coelho Voador, o mockumentary pode até mesmo ser utilizado em animações (e porque não?). Esse encantador filme conta a saga de pinguins surfistas. Segue a parte 1.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: