A rede social – o retrato da socialização nos dias de hoje

O novo filme de David Fincher (Seven e o Clube da Luta), The Social Network (A rede, 2010) vai muito além de apenas contar as origens do site Facebook, a maior rede social do mundo que tornou Mark Zuckemberg, seu idealizador, bilionário aos vinte e poucos anos. O filme é um ode ao sonho capitalista, da ideia genial que alavanca grandes cifras. Porém, o reconhecimento financeiro e o prestígio entre os programadores não rende o que parece ser o maior desejo de Zuckemberg: ser aceito “na rede”, no clube social, relacionar-se, ter amigos, namorada e uma vida social normal. Emblemática uma das cenas do filme, em que Mark olha a foto da ex-namorada no facebook: como um refém da própria armadilha, é o mais próximo que chega do seu objeto de desejo.

Mais do que retratar o mundo paralelo em que parece viver o personagem, o filme mostra as relações entre os amigos quando o projeto começa a “decolar”. Não há mocinhos nem bandidos: até mesmo a notória briga entre Zuckberg e o brasileiro Eduardo Saverin deixa pairando no ar quem estaria com a razão. Ponto para o excelente elenco, inclusive, com a grata surpresa da atuação de Justin Timberlake, como Sean Parker, fundador do Napster que embarca no projeto. Ponto para o excelente roteiro de Aaron Sorkin, com diálogos ácidos e para a montagem, que alterna desde as panorâmicas mais longas com as montagens em ritmo intenso (plano e contraplano frenético nos diálogos, montagem emblemática na cena do remo), embaladas pela trilha do excelente Trent Reznor (do Nine Inch Nails).

Interessante notar o papel que é dado ás mulheres no filme. Embora o  discurso seja completamente machista e as mulheres tratadas como troféus (que começam a pipocar na tela a partir do sucesso do site), Érica Albright, a ex-namorada de Mark, é o contraponto que o chama à vida real. O próprio filme é permeado por conquistas sexuais, o anseio adolescente. Ser aceito no circuito das “fraternidades” em Haward equivale a sair com as mulheres mais bonitas da faculdade. Discurso machista e adolescente, como os personagens envolvidos. O próprio Zuckemberg, em entrevista, criticou o cinema hollywoddiano clássico, que anseia em buscar respostas coerentes a ações dos personagens, quando na vida real tudo é muito mais complexo. Pressupostos básicos da narração clássica envolvem, evidentemente, a trama paralela e um romance, frustrado ou não, que mantém o protagonista sempre em busca do objeto de desejo.

Não e à toa que a National Board of  Review, entidade que reúne mais de 110 críticos elegeu “The social network” como um dos melhores filmes do ano: melhor filme, melhor roteiro, melhor direção e melhor ator (Jesse Eisenberg). O filme é um retrato dos meios de socialização atuais, falando dos anseios de aceitação, pertencimento e escolhas, sem cair na pieguice.

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